As lesões acromioclaviculares, conhecidas pela sigla LAC, acontecem na região onde a clavícula encontra o ombro. Elas são relativamente comuns em pessoas jovens, principalmente em atletas, e podem representar até 12% das lesões nessa faixa etária. Como esse público costuma ser bastante ativo — no esporte ou no trabalho —, muitas vezes a decisão sobre qual tratamento seguir não é simples.
Essas lesões são classificadas em graus de 1 a 6, de acordo com a gravidade, avaliada em exames de raio-X. Nos casos mais leves (graus 1 e 2), o tratamento costuma ser conservador, ou seja, sem cirurgia. Nos mais graves (graus 4 a 6), geralmente é indicada a cirurgia.

O problema maior está no grau 3, que fica justamente no meio do caminho. Para esse grupo, ainda não há consenso: tanto o tratamento sem cirurgia quanto o cirúrgico podem ser opções válidas.
Um estudo recente (Prevot et al., 2025, EFORT Open Reviews) analisou 10 pesquisas envolvendo quase 400 pacientes com esse tipo de lesão. O resultado mostrou que, em relação à dor e à função do ombro, não houve diferença significativa entre quem fez cirurgia e quem não fez. A diferença apareceu apenas nas radiografias, onde os pacientes operados mostraram uma posição mais próxima do normal entre os ossos.
O que isso significa, na prática? Que não existe uma única resposta certa. Nos casos de LAC grau 3, os dois caminhos — com ou sem cirurgia — podem funcionar bem. A escolha deve ser feita de forma individualizada, levando em conta fatores como o nível de dor, a rotina de atividades físicas ou profissionais e as expectativas do paciente em relação ao retorno às suas atividades.
Referência:
Prevot N, et al. EFORT Open Reviews, 2025.
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